
"detesto que as mulheres me façam chantagem emocional."
?!
mulheres e chantagem emocional? nnnnãaaaaaaaaaaaooooooooooooooo! impossível.
admito, foi uma surpresa ouvir isto da boca de um homem. porque sempre achei que:
1. os homens não faziam a mínima ideia que as mulheres usavam as emoções para chantagear;
2. aqueles que o sabiam, sempre o disfarçaram bem, pois (no final) sempre consegui aquilo que queria.
1. fiquei envergonhada, por todos os momentos em que fiz uso desta vergonhosa arma para chegar aos meus fins.
2. depois pus-me a pensar (sim, de quando em vez, acontece-me):
- porquê recorrer a chantagens, joguinhos or whatever para chamar a atenção de alguém ou pedir algo?
- por quê entrar em labirintos de palavras e emoções, e ir por um caminho desgastante para ambos?
- por que não simplesmente dizer ou pedir aquilo que se quer?
a resposta é simples:
temos medo de ser frontais. temos medo da resposta. temos medo da reacção. temos medo de mostrar a verdadeira face. temos medo do nosso "eu". temos medo da rejeição, da não-aceitação. temos medo de ir contra a sociedade, contra a nossa educação. temos medo.
encafuamo-nos nas palavras e emoções. alteramos a situação segundo os ventos. fazemos bluff. escondemos o nosso verdadeiro jogo. manipulamos a pessoa como se de uma marioneta se tratasse. quebra-cabeças. labirintos. jogos complexos que não levam a parte alguma. e tudo isto para?
para- no caso de não conseguir aquilo que se pretende, jogar o "joker", i.e. "foi um mal-entendido/não percebeste/não me exprimi bem/não me percebes, etc.".
numa palavra se consegue resumir este enredo:
complicação
complicar situações simples. corroer pouco a pouco a relação. perder tempo. não atingir o objectivo. estes são os ganhos da complicação.
não é fácil dizer aquilo que nos vai na alma. mas é mais fácil do que andar, pelos cantos da casa, sorumbática à espera de despertar as atenções.
por isso, senhoras, resolução 2010:
"descompliquem o *incomplicável* (perdoem-me o neologismo) e guardem as emoções para outras ocasiões."
e nunca esqueçam:
il vaut mieux avoir des remords qu'avoir des regrets.
p.s. não estou a ilibar-me. eu (melhor do que ninguém) não fujo à regra. sou mulher. sou complicada. mas não gosto de complicar - apesar de o fazer, very often (e este é o perfeito exemplo da minha complicação cerebral).
:)

